Blog do Oríosè

Sòngò - Xangô


Ṣàngó
Mitologia Yoruba
Ṣàngó é o Orixá do fogo, da justiça e do trovão, traz um machado na mão para julgar os atos dos humanos, este é um dos principais Orixás, muito lembrado na Umbanda e no Candomblé. Como personagem histórico, Ṣàngó teria sido o terceiro Aláàfìn de Òyó, "Rei de Oyo", filho de Ọ̀rànmíyàn e Torosi, a filha de Elempê, rei dos tapás, aquele que havia firmado uma aliança com Ọ̀rànmíyàn. orixá dos raios, trovões, grandes cargas elétricas e do fogo. É viril e atrevido, violento e justiceiro; castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. Por esse motivo, a morte pelo raio é considerada infamante. Da mesma forma, uma casa atingida por um raio é uma casa marcada pela cólera de Ṣàngó.
Ọba é palavra da língua Yoruba que designa rei. Ọba é também um dos epítetos do orixá Ṣàngó, não confundir Obá, rei, soberano (Ọba), com o orixá Obá ( Òbà), que é uma das esposas de Ṣàngó). Segundo a mitologia, Ṣàngó teria sido o quarto rei da cidade de Ọyọ, que foi o mais poderoso dos impérios Yorubas. Depois de sua morte, Ṣàngó foi divinizado, como era comum acontecer com os grandes reis e heróis daquele tempo e lugar, e seu culto passou a ser o mais importante da sua cidade, a ponto de o rei de Ọyọ, a partir daí, ser o seu primeiro sacerdote.
Não existem registros históricos da vida de Ṣàngó na Terra, pois os povos africanos tradicionais não conheciam a escrita, mas o conhecimento do passado pode ser buscado nos mitos, transmitidos oralmente de geração a geração. Assim, a mitologia nos conta a história de Ṣàngó, que começa com o surgimento dos povos Yorubas e sua primeira capital, Ilê-Ifé, fala da fundação de Ọyọ e narra os momentos cruciais da vida de Ṣàngó:
Num tempo muito antigo, na África, houve um guerreiro chamado Odùdúwà, que vinha de uma cidade do Leste, e que invadiu com seu exército a capital de um povo então chamado ifé. Quando Odùdúwà se tornou seu governante, essa cidade foi chamada Ilê-Ifé. Odùdúwà teve um filho chamado Okanbi, e Okanbi teve sete filhos, e seus filhos ou netos foram reis de cidades importantes. A primeira filha deu-lhe um neto que governou Egbá, a segunda foi mãe do Alaqueto, o rei de Queto, o terceiro filho foi coroado rei da cidade de Benim, o quarto foi Orungã, que veio a ser rei de Ifé, o quinto filho foi soberano de Xabes, o sexto, rei de Popôs, e o sétimo foi Ọ̀rànmíyàn, que foi rei da cidade Ọyọ, mais tarde governada por Ṣàngó.
Esses príncipes governavam as cidades que mais tarde foram conhecidas como os reinos que formam a terra dos Yorubas, e todos pagavam tributos e homenagens a Odùdúwà. Quando Odùdúwà morreu, os príncipes fizeram a partilha dos seus domínios, e Acambi ficou como regente do reino de Odùdúwà até sua morte, embora nunca tenha sido coroado rei. Com a morte de Acambi, foi feito rei Ọ̀rànmíyàn, o mais jovem dos príncipes do império, que tinha se tornado um homem rico e poderoso. O Ọbá Ọ̀rànmíyàn foi um grande conquistador e consolidou o poderio de sua cidade.
Um dia Ọ̀rànmíyàn levou seus exércitos para combater um povo que habitava uma região a leste do império. Era uma guerra muito difícil, e o oráculo o aconselhou a ficar acampado com os seus guerreiros num determinado sítio por um certo tempo antes de continuar a guerra, pois ali ele haveria de muito prosperar. Assim foi feito e aquele acampamento a leste de Ifé tornou-se uma cidade poderosa. Essa próspera povoação foi chamada cidade de Ọyọ e veio a ser a grande capital do império fundado por Odùdúwà. O rei de Ọyọ tinha por título Aláàfin, termo que quer dizer o Senhor do Palácio de Ọyọ.
Com a morte de Ọ̀rànmíyàn, seu filho Ajacá foi coroado terceiro Aláàfìn de Ọyọ. Ajacá, que tinha o apelido de Dadá, por ter nascido com o cabelo comprido e encaracolado, era um homem pacato e sensível, com pouca habilidade para a guerra e nenhum tino para governar. Dadá-Ajacá tinha um irmão que fora criado na terra dos nupes, também chamados tapas, um povo vizinho dos Yorubas. Era filho de Ọ̀rànmíyàn com a princesa Iamassê, embora haja quem diga que a mãe dele foi Torossi, filha de Elempê, o rei dos nupes. Esse filho de Ọ̀rànmíyàn tinha o nome Ṣàngó, e era o grande guerreiro que governava Cossô, pequena cidade localizada nas cercanias da capital Ọyọ.
Ṣàngó um dia destronou o irmão Ajacá-Dadá, e o exilou como rei de uma pequena e distante cidade, onde usava uma pequena coroa de búzios, chamada coroa de Baiani.
Ṣàngó foi assim coroado o quarto Aláàfin de Ọyọ, o Ọbá da capital de todas as grandes cidades Yorubas.
Ṣàngó procurava a melhor forma de governar e de aumentar seu prestígio junto ao seu povo. Conta-se que, para fortalecer seu poder, Ṣàngó mandou trazer da terra dos baribas um composto mágico, que acabaria, contudo, sendo sua perdição. O rei Ṣàngó, que depois seria conhecido pelo cognome de o Trovão, sempre procurava descobrir novas armas para com elas conquistar novos territórios. Quando não fazia a guerra, cuidava de seu povo. No palácio recebia a todos e julgava suas pendências, resolvendo disputas, fazendo justiça. Nunca se quietava. Pois um dia mandou sua esposa Iansã ir ao reino vizinho dos baribas e de lá trazer para ele a tal poção mágica, a respeito da qual ouvira contar maravilhas. Iansã foi e encontrou a mistura mágica, que tratou de transportar numa cabacinha.
A viagem de volta era longa, e a curiosidade de Iansã sem medida. Num certo momento, ela provou da poção e achou o gosto ruim. Quando cuspiu o gole que tomara, entendeu o poder do poderoso líquido: Iansã cuspiu fogo!
Ṣàngó ficou entusiasmadíssimo com a nova descoberta. Se ele já era o mais poderoso dos homens, imaginem agora, que tinha a capacidade de botar fogo pela boca. Que inimigo resistiria? Que povo não se submeteria? Ṣàngó então passou a testar diferentes maneiras de usar melhor a nova arte, que certamente exigia perícia e precisão.
Num desses dias, o Ọbá de Ọyọ subiu a uma elevação, levando a cabacinha mágica, e lá do alto começou a lançar seus assombrosos jatos de fogo. Os disparos incandescentes atingiam a terra chamuscando árvores, incendiando pastagens, fulminando animais. O povo, amedrontado, chamou aquilo de raio. Da fornalha da boca de Ṣàngó, o fogo que jorrava provocava as mais impressionantes explosões. De longe, o povo escutava os ruídos assustadores, que acompanhavam as labaredas expelidas por Ṣàngó. Aquele barulho intenso, aquele estrondo fenomenal, que a todos atemorizava e fazia correr, o povo chamou de trovão.
Mas, pobre Ṣàngó, a sorte foi-lhe ingrata. Num daqueles exercícios com a nova arma, o Ọbá errou a pontaria e incendiou seu próprio palácio. Do palácio, o fogo se propagou de telhado em telhado, queimando todas as casas da cidade. Em minutos, a orgulhosa cidade de Ọyọ virou cinzas.
Passado o incêndio, os conselheiros do reino se reuniram, e eviaram o ministro Gbaca, um dos mais valentes generais do reino, para destituir Ṣàngó.
Gbaca chamou Ṣàngó à luta e o venceu, humilhou Ṣàngó e o expulsou da cidade. Para manter-se digno, Ṣàngó foi obrigado a cometer suicídio. Era esse o costume antigo. Se uma desgraça se abatia sobre o reino, o rei era sempre considerado o culpado. Os ministros lhe tiravam a coroa e o obrigavam a tirar a própria vida.
Cumprindo a sentença imposta pela tradição, Ṣàngó se retirou para a floresta e numa árvore se enforcou.
Ọba so!Ọba so!
O rei se enforcou!, correu a notícia.
Mas ninguém encontrou seu corpo e logo correu a notícia, alimentada com fervor pelos seus partidários, que Ṣàngó tinha sido transformado num orixá. O rei tinha ido para o Orum, o céu dos orixás. Por todas as partes do império os seguidores de Ṣàngó proclamavam:
Ọba kò so!, que quer dizer O rei não se enforcou!
Ọba kò so!Ọba kò so!.
Desde então, quando troa o trovão e o relâmpago risca o céu, os sacerdotes de Ṣàngó entoam: O rei não se enforcou!Ọba kò so! Ọbá Kossô! O rei não se enforcou.
Na Umbanda
Xangô
Xangô é sincretizado com São Jerônimo, São Pedro, São João Batista, cujo poder se manifesta na pedreira, é o Senhor da justiça. Seu símbolo é o machado de duas faces, significando que o machado tanto protege seus filhos das injustiças como os pune quando as cometem, bem como, a Estrela de 6 pontas cujo símbolo é em si o poder equilibrador do Universo. Quando Deus Criou os Estados exteriores da Criação, o Primeiro foi o vazio(Exu), o Segundo estado foi o Espaço em si mesmo(Òṣàlà) e o Quarto Estado da Criação exterior foi o equilíbiro de tudo e de todos(Xangô)
Como em Ọlọ́run, não se pode dizer quem foi o primeiro a ser exteriorizado, nós umbandistas preferimos amá-los e ponto final. Tudo trata-se de ângulos de visões religiosas, pois o poder de Ọlọ́run que equilibra todo o Universo que faz par com o estado purificador (Kali-yê), é chamado de Xangô na religião umbandista, ou seja, na Umbanda não o adoramos como um deus com características humanas, mas sim, como o poder equilibrador de Ọlọ́run manifestado em seu exterior.
Oferenda Básica
  • Bebidas - Cerveja Preta
  • Comidas - quiabos picados em rodelas e levemente cozidos, rabada cozida com cebolas cortadas em rodelas
  • Fitas - Branca e Marrom
  • Frutas - abacaxi, melão, manga, melancia, figo, caqui, laranja, goiaba vermelha
  • Libação - Vinho tinto seco
  • Licor - Licor de Chocolate
  • Linhas - Branca e Marrom
  • Pembas - branca, marrom e vermelha
  • Toalhas ou panos - marrom
  • Velas - Branca e Marrom
Qualidades
Ao continuarmos a análise das diversas combinações dos Orixás encontramos o Orixá Ṣàngó atuando principalmente no equilíbrio das diversas forças. Ṣàngó é o Orixá que está associado ao estudo, discernimento, e conseqüentemente a justiça. Observando a natureza vemos a pedreira entre a terra e o mar, impondo limites, pois a água salgada não germina a terra, mantendo portanto o equilíbrio ecológico. Encontramos também sua manifestação natural através do trovão.
Existem inúmeras qualidades de Ṣàngó, mas não estão relacionados as combinações de outras forças mas ao equilíbrio das mesmas (poderíamos ousar afirmar que está seria a principal função deste Orixá em nível de natureza), assim temos:
  • Ṣàngó Kâo - É o principal e mais cultuado como dirigente desta linha. Também conhecido como Ṣàngó Velho. Vibra na cor marrom escuro, simbolizando a pedra antiga na qual foi assentada a justiça, evidenciando a sabedoria. Ele atua na pedreira sobre a qual está assentado o campo florido que recebe as obrigações de Òṣàlà.
  • Ṣàngó Àfọnjá, o Bãlẹ̀ (governante) da cidade de Ìlọrin. Àfọnjá era também Are-Ona-Kaka-n-fo, quer dizer líder do exército do império. Segundo a história de Oyo, no início do século dezenove, Oyo era governada pelo rei Awole, ele possuía aliados que eram espécies de Generais, que lhe davam todo o tipo de apoio mantendo assim o podes absoluto sobre o Reino Iorubá e os reinos anexados. Mas um dia um desses generais resolveu se rebelar contra Oyo e se unir com os inimigos, esse general se chamava Àfọnjá que era conhecido como Kakanfo de Ìlọrin. Declarou-se independente de Oyo. Com isso o Rei de Oyo Awole se envenenou para não ver o desmembramento do Império. Àfọnjá traíu o Império Iorubá, mas quando os rebeldes assumiram o poder Àfọnjá foi decaptado pelo seu novo aliado. Este alegou que se um homem traíu seu antigo rei ele voltaria a trair tantos outros.
  • Ọbá Kuso ou Ọbá Kosô- Título que Ṣàngó recebe ao fundar a cidade de Kosô nos arredores de Oyo, tornando-se seu Rei. Título dado também a Agọnjú, irmão gêmeo de Ṣàngó quando de sua chegada em Oyo foi aclamado como o Rei Não se Enforcou, Ọbá Kô Sô.
  • Ṣàngó Lubê - Título de Ṣàngó que faz referência a todo o seu poder e riqueza, pode ser traduzido como Senhor Abastado.
  • Ṣàngó Irù ou Barù - Título dado a Ṣàngó logo após chegar ao apogeu do império, quando cria o culto de Egungun, é aclamado como a forma humana do Deus primordial Jakutá sobre a terra,senhor dos raios, tempestades, do Sol e do fogo em todas as suas formas. Ele acaba por destroir a capital do Reino numa crise de cólera e depois arrependido, se suicida , adentrando na terra.
  • Ṣàngó Ajakà - Também entitulado Bayaniym - O pai me escolheu, que faz referência a ele por ser o filho mais velho de Ọ̀rànmíyàn, e ter por direito que assumir o trono, irmão mais velho de Ṣàngó.
  • Ṣàngó Agọnjú - Ele representa tudo que é explosivo, que não tem controle, ele é a personificação dos Vulcões.
  • Xangô Agọnjú
    Segundo a tradição de Ọyọ, Agọnjú é sobrinho de Ṣàngó e filho de Dadá Ajacá, Aláàfin deposto pelo irmão. Quando Ṣàngó caiu, Dadá Ajacá voltou à Ọyọ e reassumiu como o quarto Aláàfin de Ọyọ. Após sua morte, o trono foi herdado por Agọnjú, quinto Aláàfin de Ọyọ e neto de Ọ̀rànmíyàn.
    Nos mitos, Agọnjú é às vezes tratado como uma divindade primordial, associado à terra (em oposição à água) e às montanhas e vulcões.
    No Brasil, Agọnjú é considerado uma qualidade de Ṣàngó enquanto dono das leis e das escritas e padroeiro dos intelectuais, em contraste com Ṣàngó Agodô (o Ṣàngó mais velho, ou o Ṣàngó propriamente dito), que é principalmente o Orixá da justiça e do equilíbrio.
    Ṣàngó Agọnjú também representa Ṣàngó como orixá do ar e em sua relação com a mãe Yèmọnja, que por ele teria sido violentada, dando origem aos Ibejis. Nesta concepção se misturam o conceito africano de Agọnjú como orixá da terra e o do seu filho Orungã, o ar, que teria violentado Yèmọnja e dado origem a vários outros orixás.
    Mitos
    Do consórcio de Ọbàtálá, o céu, com sua esposa, a terra, nasceram dois filhos: Agọnjú, a terra firme, e Yèmọnja, as águas. Da união com Agọnjú, Yèmọnja deu à luz a Orungã, o ar, o espaço entre a terra e o céu.
  • Ṣàngó Orungã - Filho de Agọnjú Solá e Yèmọnja, dono da atmosfera é o ar que respiramos, dono da camada que protege a Terra.
  • Mitos
    Orungã cresce e se apaixona pela linda e sensual Yèmọnja. E da união dos dois, o ar e a água, cresce profundo amor. Mas aflita, Yèmọnja um dia se desprende dos braços de Orungan e foge alucinada, desprezando a continuidade daquele amor proibido. Orungan então a persegue, mas, prestes a alcançá-la, Yèmọnja se deita. O corpo então cresce e, dos seus seios fartos, nascem dois rios que adiante se reúnem, constituindo uma lagoa. Do seu ventre fértil que se rompe, nascem: Dadá Ajacá, orixá dos vegetais; Ṣàngó, deus do trovão; Ògún, deus do ferro e da guerra; Olocum, deus do mar; Oloxá, deusa dos lagos; Ọya, deusa dos ventos e da tempestade; Ọ̀ṣun, deusa das águas doces do rio Ọ̀ṣun; Obá, deusa do rio Obá; Okô, orixá da agricultura; Okê, deus das montanhas e das pedras; Ọ̀ṣọ́ọ̀si, deus das matas e dos caçadores; Ajê Xaluga, deus da riqueza; Xapanã, orixá da varíola e da saúde; Orum, o sol; e Oxú, a lua.
  • Ṣàngó Ògòdò - Muito ruim e brutal, inclinado a dar ordens e a ser obedecido, foi ele quem raptou obá. Come com Yèmọnja. Neste caminho; Ṣàngó segura dois Oxês (machados). Sendo o seu èdùn àrà composto de dois gumes e é originário de Tapá. É aquele que, ao lançar raios e fogo sobre seu próprio reino, e o destrói.
  • Ṣàngó Jakutà ou Djakutà - Esse Orixá, é a representação da justiça e da ira de Ọlọ́run, míticamente Ṣàngó foi iniciado para este Orixá sendo considerado como a forma divina primordial do mesmo. Ele foi enviado em sua forma divina por Ọlọ́run para estabelecer a ordem e submeter Oduduá e Òṣàlà aos planos da criação durante um momento de conflito entre as divindades. É o próprio Ṣàngó.
  • Ṣàngó Ọ̀rànmíyàn - Personificação do fogo, o magma do centro da terra é o pai de Ṣàngó e de Agọnjú em sua forma humana.
  • Ṣàngó Olookê - Orixá dono das montanha, em algumas lendas é um dos filho de Ọ̀rànmíyàn, foi casado com Yèmọnja.
  • Ṣàngó Abomi - este desdobramento atua principalmente no equilíbrio de raciocínio e método e defesa nas horas de grande aflição. Atuando com em harmonia com Ògún.
  • Ṣàngó Badè - É o mais jovem VODUM da família do raio ( cujo chefe é KEVIOSSO ), corresponde ao Ṣàngó jovem dos NAGO. É irmão de LOKO. Usa roupa azul com faixa atada atras. Não fuma, não bebe nem fala. Um de seus animais prediletos é o chicharro.
  • Ṣàngó Aláàfìn - É o dono do palácio real, o governante de Oyo. Vem numa parte de ÒÒSÀÀLÀ e caminha com OSOGUIAN.
  • Obá Roque - Seria o pai de ÒSUN OPARÀ. Tem fundamento com Ọ̀ṣọ́ọ̀si. Veste vermelho e branco ou marrom e branco.
  • Ṣàngó Alufan - É idêntico a um AYRÀ. Confundem êle com OSÀLÚFÓN. Veste branco e suas ferramentas são prateadas.
Batuque
  • Ṣàngó Agodò - idoso
  • Ṣàngó Aganju - jovem.
  • Ṣàngó Beiji - criança
Xangô do Nordeste
  • Ṣàngó Aláàfìn-exê
    • este desdobramento consiste na atuação junto a necessidade de fazer cessar as tempestades (atuando como energia refreadora, equilibradora) e auxiliar oradores intelectuais (inspirando método e orientação). Atuando com Iansã.
    • Designação do Ṣàngó Pernambucano para a principal ferramenta do orixá Ṣàngó, especialmente no Nagô, Tambem designa o chocalho ritual ou xerê, geralmente feito de cobre ou latão dourado.
Importante ressaltar que as definições ou descrições os diferentes desdobramentos de Ṣàngó, assim como com os dos demais desdobramentos de cada Orixá, são apresentadas muito mais com objetivos didáticos do que litúrgicos, pois a essência de cada Orixá permanece sempre a mesma em todos os seus desdobramentos e momentos de atuação.
Em função de sua característica básica de estar ligado a parte intelectiva, o Orixá Ṣàngó foi associado ao planeta Mercúrio, que rege a quarta-feira, por extensão é o dia em que cultuamos Ṣàngó na umbanda.
Características
AnimaisTartaruga, Carneiro
BebidasCerveja Preta, Leite de coco, Aluá: 1 abacaxi (fatias grossas da casca), 2litros d’água, açúcar, cravos, 1 colher de chá de gengibre ralado. Colocar as cascas em panela com água e deixar fermentar por um dia ou mais. Coar, por açúcar, cravo e gengibre.
Comidas
Cor
  • Umbanda: marrom;
  • Candomblé: vermelho e branco;
Dia da SemanaQuarta-Feira
EssênciaMorango
Guia de ContasCristal Marrom
InstrumentoMachado de Duplo Corte - òṣé, Chocalho - ṣerẹ̀
MetalBronze e o Cobre
Número12
OduEJILASÈBORÁ OBARÁ
PedraTopázio e Citrino
PlanetaMercúrio
Ponto de ForçaNo sopé de uma montanha ou pedreira
SaudaçãoKá wò Kábíyèsí lé
SímboloMachado de Duplo Corte; A balança que significa a justiça de Oxalá;Estrela de 6 pontasXerê
Sincretismo
OrixáSincretismoDataComentário
Şàngó KaôSão Jerônimo30 de setembro
Şàngó AgodôSão Pedro19 de junho
Şàngó AganjúSão José19 de março
Şàngó AlafimSão João Batista24 de junho
Şàngó AlufamSão Pedro29 de junho
Şàngó JakutaSão Tiago25 de julho
Şàngó AbomiSanto Agostinho28 de agosto
Şàngó AgodôSão Jerônimo-Nação Batuque
Şàngó AganjùSão Miguel Arcanjo-Nação Batuque
Şàngó BeijiCosme e Damião-Nação Batuque
ToqueAlujá,tọ́nibọbẹ̀
Folhas
Sincretismos
São Jerônimo 
São Jerônimo
São Pedro 
São Pedro
São José 
São José
São João Batista 
São João Batista
São Miguel Arcanjo 
São Miguel Arcanjo
Santo Agostinho 
Santo Agostinho
Filhos de Xangô
Características Físicas
Os filhos deste Orixá costumam ser robustos, fortes, e não muito altos, os ombros bem largos e braços fortes e grossos, a maioria acima do peso e com têndencia a obesidade, são pessoas bem pesadas, com uma estrutura óssea bem definida e desenvolvida, com ossos fortes e grandes.
Personalidade
O arquétipo de Xango é aquele das pessoas voluntariosas e enérgicas, altivas e conscientes de sua importância real ou suposta. Das pessoas que podem ser grandes senhores, corteses, mas que não toleram a menor contradição, e, nesses casos, deixam-se possuir por crises de cólera, violentas e incontroláveis. Das pessoas sensíveis ao charme do sexo oposto e que se conduzem com tato e encanto no decurso das reuniões sociais, mas que podem perder o controle e ultrapassar os limites da decência. Enfim, o arquétipo de Xango é aquele das pessoas que possuem um elevado sentido da sua própria dignidade e das suas obrigações, o que as leva a se comportarem com um misto de severidade e benevolência, segundo o humor do momento, mas sabendo guardar, geralmente, um profundo e constante sentimento de justiça. Como dizem as entidades trazem o machado na mãoisto é, estão sempre julgando as pessoas e os momentos, e em seguida já executam sua lei, são pessoas teimosas, impulsivas e não aceitam opiniões contrárias a seu entendimento, mas são também carismáticas e alegres.
Características Espirituais
Os filhos de Ṣàngó são muito importantes para um templo de Umbanda, como todos os filhos dos outros Orixás. As entidades que trabalham com esses filhos têm um importante trabalho na gira, que é a segurança do rito, são chamados de médium de tronqueira, são médiuns que participam da gira fazendo a guarda do rito repelindo qualquer manifestação do baixo astral que possa atrapalhar os trabalhos. Os filhos de Ṣàngó têm mais facilidade de trabalhar com energias mais densas pela sua afinidade com estas linhas, as entidades que se apresentam com mais freqüência são os Baianos, Exus, Pretos-Velhos e Caboclos da linha de Ṣàngó, normalmente esses caboclos não dançam, ficam postados com aparência de soldados no terreiro como se fossem grandes sentinelas. Assim os filhos de Ṣàngó têm as mesmas características, são filhos difíceis de pegar "carrego" ou demandas, pois são acostumados a lidar com energias densas.
Lendas
Baru
Existe uma qualidade de Ṣàngó, chamada Baru, que nao pode comer quiabo. Ele era muito brigão. Só vivia em arito com os outros. Ele é que era valente. Quem resolvia tudo era ele. Ṣàngó Baru era muito destemido , quando ele comia quiabo , que ele gostava muito , lhe dava lombeira. Dormia o tempo todo !!!
E por isso perdeu muitas contendas, pois quando ele acordava seus adversarios já tinham voltado da guerra. Ele ficava indignado. Então resolveu consultar um OLUÔ, que lhe disse :
- Se é assim , deixe de comer quiabo.
- Eu deixar de comer o que mais gosto ? - respondeu Ṣàngó baru.
- Então fique por sua conta. Não me incomode mais ! Será que a gula vai vence-lo ??? - perguntou oluô.
Ṣàngó Baru foi para casa e pensou:
- Eu não vou deixar me vencer pela boca. Vou voltar lá e perguntar a ele o que eu faço, pois o quiabo é meu prato predileto.
E saiu no caminho da casa do louô, que já sabia que ele voltaria. Lá chegando, disse :
- Aqui estou. Me diz o que vou comer no lugar do quiabo.
- Aqui neste mocó tem o que tem que comer. São estas folhas. Você temperando como quiabo, mata sua fome - lhe mostrou o oluô.
- Folha !?
Perguntou Ṣàngó Baru.
- Sim - respondeu o oluô. Tem duas qualidades, uma se chama Ọyọ e a outra, xanã. São tão boas e gostosas quanto o quiabo.
Ṣàngó Baru foi para casa e preparou o refogado, e fez angu de farinha e comeu. Gostou tanto, e se sentiu tão bem e tão fortalecido, e não teve mais aquele sono profundo. Aliás, ele se sentiu bem mais jovem e com força. E não ficou com a lombeira que o quiabo lhe dava. Ai ele disse ?
- A partir de hoje , eu não como mais quiabo.
Daí a sua quizila com o mesmo. É como eu disse no começo : "Todo caso é um caso".
Esse caso me foi cantado pelas minhas mais velhas , assim , agora , querm quiser dar quiabo a Baru , que dê!!!!!
A união de Ṣàngó e Obá
Transcorre um culto nos arredores da cidade, é eleko. Uma sociedade restrita, onde apenas mulheres realizam o culto. Que possue como matriarca a temida Obá, a fundadora desta sociedade que cultua a ancestralidade feminina individual.
Nem um homem poderia sequer assistir o ritual do segredo, sendo punido por Obá com sua própria vida.
Certo dia, em uma das noites de culto, Ṣàngó caminhava alegremente e dançava ao som do batá. Quando percebe, ao longe um aglomerado de mulheres, realizando uma cerimônia sob as ordens da enérgica Obá.
Ṣàngó era muito curioso e não se conteve aproximando-se da cena, ficando a espreita.
Ṣàngó encantou-se com a rara beleza de Obá, que apesar de não ser tão jovem era a mais bela mulher que ele já vira. No momento de distração, Ṣàngó foi percebido e cercado pelas mulheres, foi levado a presença da grande deusa, que lhe falou o preço que haveria de pagar por sua audácia em violar o culto sagrado de Elekó. Mas a própria Obá que encantou-se com a inigualável beleza de Xangõ apaixonando-se de imediato, relutou em aplicar a sentença de morte e usou de sua supremacia no culto para ditar nova regras, dando nova chance a Ṣàngó:
Todo homem, que violar o culto, se for do agrado, da senhora do culto, deverá unir-se a ela como marido ou aceitar a pena de morte
Ṣàngó não pensou duas vezes, seria poupado da sentença e ainda sim possuiria a grande deusa por quem havia se apaixonado. A cerimônia de união de Ṣàngó e Obá foi realizada dentro dos limites de Elekó. Foi o inicio de uma grande paixão, nunca se viu tanto amor.
A deusa guerreira e justiceira que pune os homens que maltratam as mulheres, descobriu um sentimento novo por um homem além do ódio. Descobriu todo o amor que um homem pode dar. A grande rainha de Elekó, a rainha de Ṣàngó aprendeu a amar e ser amada.
Nasce, dessa grande paixão, uma criança, uma menina, nasce Opará, nasce a mais bela, justiceira e feroz guerreira. Herdou o melhor do pai e da mãe e prosseguiu com o culto.
Os Doze ministros
No centro Cruz Santa do Axé do Opô Àfọnjá, terreiro de candomblé situado no Alto de São Gonçalo, no bairro do Retiro, em Salvador da Bahia, existe um grupo de "oloiês" conhecido como "os Obás de Ṣàngó" ou "os Ministros de Xango". O grupo dos Obás foi instituído formalmente no candomblé de São Gonçalo, no ano de 1937, quando aquêle terreiro estava 'sob a direção de sua primeira mãe-de-santo Eugênia Ana dos Santos, "Mãe Aninha", de quem Édison Carneiro disse ter sido "a figura feminina mais ilustre dos candomblés da Bahia". "Mãe Aninha" pouco tempo sobreviveu à confirmação dos Obás, vindo a falecer no dia 3 de fevereiro de 1938. Os Obás, originariamente em número de doze, dividem-se em duas falanges, seis do lado direito, os chamados Obás-da-direita-e seis do lado esquerdo, conhecidos como Obás-da-esquerda. Adiante se verá, quando tratarmos da função dos Obás na estrutura do grupo, as implicações rituais e simbólicas dessa polaridade. Os Obás receberam na cerimônia de sua confirmação, nomes ou oiês alusivos a personalidades ligadas à história da cultura Yoruba
OTUMOSSI
ADIÓDÚMONANXÒKUN
AREARESSÁ
ÀRÓLUELERYIN
TÈLÁONI KOYÍ
ODOFUNOLUGBÒN
KAKANFÒSÒRUN
Os Obás de Ṣàngó formam dessa maneira um grupo sui-generis entre as demais cadas de santo nagôs da Bahia, que costumam apresentar em sua organização uma estrutura centralizada, do lado masculino de seus filiados, num corpo de titulares chamados de Ogãs.
Os Ogãs é que formam, nos terreiros de Candomblé da Bahia, outros que não o Opô Àfọnjá, o grupo de prestigio em que se apóia a organização religiosa da Casa.
Os Obás têm sido chamados diversamente de Mọgbás ou Magbás.
Saiba Mais
Mitologia
Orixás
Vocabulário - Yorùbá
ADÉ BAÁYÀNI  s., instr. rit.   | adé baáiàni  coroa de baayani. Também chamada de coroa de Dadá, usada por Dadá durante seu exílio.
AGỌ́NJÚ  n., div.   | agandjú  [Agọnjú]  Qualidade ou Avatar do Xangô
AJABỌ̀  s.,(com. rit.)   | adjabô  comida ritualística. comida preparada a base de quiabo cortado em rodelas finas, cozido em o mínimo de água possível e que deve servi-la completamente fria. Trata-se de uma oferenda à toda a família de Òrìṣà-nla e que em determinadas ocasiões é oferecida “juntamente” com as oferendas à Ṣàngó que à compartilha com Òrìṣà-Nla e todos os Ọbàtálá.
BAÁYÀNI  Trad. Lit. O pai me escolheu n., div.   | baáiàni  [Baá = (contr. de bàbá) pai + yàn = escolhermi = me ]  Nome Atribuido A Dada Àjàká
BIRI  n., div.   | biri  A Escuridão. Servo de Xangô
DADA  n., div.   | dada  Orixá Dada. contração do nome de Dada Àjàká
DADA ÀJÀKÁ  n., div.   | dada àdjàká  Orixá Dada Àjàká. 2º Aláàfin de Ọ̀yọ́, filho mais velho de Oranian, irmão consanguíneo de Xangô, reinava então em Oyo. Ele amava as crianças, a beleza, e as artes. De caráter calmo e pacífico, não tinha a energia que se exigia de um verdadeiro chefe dessa época. Dadá é o nome dado pelos yorubás às crianças cujos cabelos crescem em tufos que se frisam separadamente. Dadá é representada. representada por uma cabaça enfeitada com búzios, no qual é colocada uma bola de índigo. Ele é um daqueles que vieram a partir do corpo de Yemanjá.
JÁKUTA  Trad. Lit. O Arremessador de Pedras n., div.   | djákuta  [ = lançar, arremessar + òkúta -pedra, rocha]  Epíteto do Orixá Xangô
MAGBÀ  s.   | maguibà  sacerdote do orixá xangô
MỌGBÀ  s.   | móguibà  sacerdote do orixá xangô
Ọ̀RUNGAN  n., div.   | ôrungan  Orixá do Meio Dia
OṢÙ  n., div.   | oxù  Orixá da Lua. Filha de Xangô
ṢÀNGÓ  n., div.   | xàngó  Orixá Xangô. Deus do trovão e dos relâmpagos, é, ao lado de Obatalá, o deus mais poderoso dos iorubás, segundo o mito, ele foi o segundo a sair do corpo de Yemanjá. Seu nome parece ser derivado de Ṣàn - para atacar violentamente e gọ̀ - confundir, como referência aos trovões, que se supõe ser produzidos por golpes violentos.
ṢERẸ̀  s.,(instr. rit.)   | xerê  chocalho de xangô
TỌ́NIBỌBẸ̀  s.,(toque rit.)   | tónibóbê  [tọ́ = justo + ni = força gramatical + bọ = (adorar, idolatrar) +bẹ̀ = (suplicar)]  pedir e adorar com justiça. A dança feita por xangô neste ritmo tem características únicas, os pés vão vagarosamene, e no salto, com uma marcação mais forte, acompanhada dos gestos da mão ao nível do rosto da dançarino. As mãos estão fechadas, com exceção do dedo indicador, vira-se repetidamente lançando para a direita, depois para a esquerda e para cima. como se estivesse jogando alguma coisa. Em cada gesto de mão, um dos pés se adianta, de forma rítmica.
AGỌ́NJÚ  n., div.   | agandjú  [Agọnjú]  Qualidade ou Avatar do Xangô
ALÁÀFIN  n.   | aláàfin  Título do Rei de Ọyọ
Ọ̀RÀNMÍYÀN  n., div.   | ôrànmíiàn  [Ọ̀rànyàn]  Orixá Oranian
Ọ̀RÀNYÀN  n., div.   | ôràniàn  Orixá Oranian. Forma contraida do termo Ọ̀rànmíyàn, Rei do Povo Yorubá, em Ile-Ifẹ̀ e filho do mítico Oduduwa.
Referências
  • Mitologia dos orixás, Reginaldo Prandi
  • Livros: Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada - Rubens Saraceni; O Código de Umbanda Sagrada - Rubens Saraceni.
  • Rituais Umbandistas - Oferendas, firmezas e assentamentos - Rubens Saraceni

Os Yorubás


Os Yorubás


Idioma
Falado principalmente na Nigéria, o idioma yorubá é complexo e arraigado em tradições. É o segundo maior idioma da Nigéria, é falado em várias seitas difundidas pelo mundo, entre estes estão a República do Benin, Cuba, Brasil, Trinidad, e Estados Unidos.
A origem deste idioma é obscura, e não existe nenhuma evidencia conclusiva provando onde exatamente se originou. A quem diga que o idioma yorubá provém dos Egípcios, a centenas de anos atrás, evidenciados no fato de que um vasto número de palavras yorubás serem bem parecidas com as Egípcias, porém realmente, não existe nenhuma explicação formal de como surgiu o idioma na Nigéria.
Os Yorubás
Os Yorubás são um dos mais importantes grupos étnicos da Nigéria, apreciam uma história e cultura muito rica. Existem várias teorias sobre a origem do povo yorubá, estas informações se agrupam cuidadosamente nas declarações via tradição oral.
Este povo parece ter se originado de Lamurudu, um dos reis de Mecca (na atual Arábia Saudita). Lamurudu teve um filho chamado Oduduwa, que é amplamente conhecido como o fundador das tribos yorubás. Durante o reinado de seu pai, Oduduwa era muito influente a atraiu vários seguidores, transformou as mesquitas, em templos para a adoração de ídolos, com a ajuda de um sacerdote chamado Asara.
Asara teve um filho, Braima, que foi educado como muçulmano, e se ressentiu da adoração obrigada de ídolos.
Por influência de Oduduwa, todos os homens da cidade, eram ordenados em uma expedição de caça, que durava três dias, em preparação para honra e culto de seus deuses. Braima aproveitou a oportunidade da ausência dos homens e tomou a cidade. Ele destruiu tudo, inclusive os ídolos, deixando um machado no pescoço do ídolo mais importante. Na volta da expedição, se deram com a cidade destruída, e foram atrás de Braima para queimá-lo vivo. Neste momento começou uma revolta que desencadeou uma guerra civil.
Lamurudu foi morto e seus filhos expulsos de Mecca. Oduduwa e seus seguidores conseguiram escapar, com dois ídolos, para ilé-ifẹ̀ (ainda ilé-ifẹ̀ na Nigéria moderna). Oduduwa e seus filhos juraram se vingar; mas Oduduwa morreu em ilé-ifẹ̀, antes de ser poderoso suficiente para lutar contra os muçulmanos de seu país. Seu primogênito Okanbi, comumente chamado de Idekoseroke, também morreu em ilé-ifẹ̀. Oduduwa deixou sete príncipes e princesas. Destes originaram-se várias tribos yorubás. A primeira era uma princesa que se casou com um sacerdote e se tornou mãe de Olowu, que se tornou rei de Egbá. A segunda princesa se tornou mãe de Alaketu, progenitor do povo de ketu; o terceiro se tornou rei do povo de Benin; o quarto Orangun, se tornou rei de Ila; o quinto Onisabe se tornou rei de Savé, e o sexto se tornou rei dos Popos. O sétimo e último a nascer era Oranyan (Òrànmíyàn) (odede), que se tornou progenitor dos yorubás; ele era o mais jovem, mas eventualmente se tornou o mais rico. Ele construiu a cidade de Ọyọ Ajaka, hoje Ọyọ.
De ilé-ifẹ̀, os descendentes de Oduduwa espalharam-se por outras zonas da região yorubá; entre os estados que fundaram estão Ijesha (Ijexá), Ekiti e Ondo a leste; ketu, Sabe e Egbado a oeste; Ọyọ a norte, e Ijebu a sul.
Oranyan, fundou a dinastia de Ọyọ, que veio a ser o mais conhecido dos estados yorubás, em virtude de seu domínio político-militar sobre grande parte do sudoeste da Nigéria e da área que é hoje a República de Benin. Estas estruturas políticas e militares tem sido muitas vezes citadas como modelos de organização, onde figurava o Aláàfin ou rei, considerado como um chefe cuja posição na terra era comparável à do ser Supremo no Paraíso. O Aláàfin governava com a ajuda de seus poderosos conselheiros, os Ọyọ Mesi, que eram numericamente sete e que tinham também a seu cargo a escolha do novo Aláàfin, de entre os filhos do rei anterior. O chefe dos Ọyọ Mesi, o Basorun, tinha como funções às de chefe de estado e de conselheiro principal do Aláàfin, enquanto que o exército de Ọyọ era chefiado durante uma guerra por um grupo de nobres conhecidos por Eso, o chefe dos quais era o Are-Onakakanfo ou o generalíssimo do exército.
  • Odùdúwà - Fundador da cultura Afro - 2000 a 1800 A.C.
  • Okanbi - 1º Aláàfin de Ọyọ – 1700 a 1600 A.C.
  • Ọ̀rànmíyàn 2º Aláàfin de Ọyọ – 1600 a 1500 A.C.
  • Ajaká - 3º Aláàfin de Ọyọ – 1500 a 1450 A.C.
  • Xangô - 4º Aláàfin de Ọyọ - 1450 a 1436 A.C.
  • Ajaká - 5º Aláàfin de Ọyọ - 1436 a 1370 A.C.
  • Aganju - 6º Aláàfin de Ọyọ – 1370 a 1290 A.C.
  • Kori - 7º Construção de ede/Osogbo
  • Oluaso
  • Onigboni
  • Afiran - Construção de Saki
  • Eguoju - Construção de Igboho
  • Orompoto
  • Ajiboyede
  • Abipa - Reconstrução de Ọyọ
  • Obalokun
  • Ajagbo
  • Odarawu
  • Kanran
  • Jayin
  • Ayibi
Nos dias de hoje, o rei (Ọba ou Oòni) de ilé-ifẹ̀, seria como o Papa negro, é o homem que representa toda cultura negra iniciada por Oduduwa. É o líder espiritual da cultura yorubana, sua coroa representa a autoridade dos Obás. Todos os demais Obás (reis) dependem e curvam-se a seus conselhos. Em seu palácio em ilé-ifẹ̀ estão guardados os oráculos oficiais de Oduduwa, fundador de ilé-ifẹ̀ e bisavô de Xangô. Presume-se que Oduduwa tenha vivido de 2.180 a 1800 A.C.
Mistérios de Odùdúwà
Ọpa Ọ̀rànyàn 
Ọpa Ọ̀rànyàn
A mais conhecida de todas as peças arqueológicas encontradas até hoje, relacionada com a veneranda figura de Odùdúwà, o ancestral da raça negra, é a Ọpa Ọ̀rànyàn (monolito de Ọ̀rànmíyàn), que se supõe ser o túmulo do herói. Em forma de obelisco, nitidamente de inspiração fenícia, o monólito tem uma inscrição formada por palavras da Cabala hebraica, que parecem confirmar todas as lendas e mitos em torno da origem de Odùdúwà e sua ligação com os lemurianos. Estão gravadas na pedra as seguintes palavras: Yod, Resh, Vo, Beth, Aleph, cuja tradução seria: A divindade (Yod) por ordem da Unidade Psíquica do ser (Resh) deu origem (Vo) ao movimento da luz (Beth), objeto central de estabilidade coletiva do Homem (Aleph).
Assim, os símbolos Yod e Resh comporiam as letras YOR; o símbolo VO, a letra U; o símbolo Beth, a letra B; e o símbolo Aleph, a letra A.
YORUBA
Yod 
Yod
Resh 
Resh
Waw 
Waw
Beth 
Beth
Aleph 
Aleph
Ao mesmo tempo em que se chega a uma origem cabalística da palavra Yorubá, a inscrição é uma profecia sobre a implantação do Império Ioruba por Nimrod/Odùdúwà. “ A divindade… (Odùdúwà), por ordem da Unidade Psíquica do Ser… (Deus), deu origem ao movimento da Luz… (o movimento migratório da raça numa missão religiosa), objeto central de estabilidade coletiva do Homem (a fundação da antiga cidade de Ilé – Ifé, berço da cultura Yorubá).
Esta tese é defendida por teólogos e africanólogos ligados aos estudos básicos da religião africana.
O Aláàfin de Ọyọ, (rei de Ọyọ) é o líder político da cultura yorubana, na realidade é o líder dos yorubás. Senta no mesmo trono que seu ancestral Xangô ocupou. Representa o poder ancestral dos conquistadores desta raça.
A Religião dos Yorubás
A religião tradicional yorubá envolve adoração e respeito a Ọlọ́run ou Olódùmarè, o criador, dos Orixás e dos antepassados, e cultuam 401 deidades; a maior parte desses Orixás são figuras antropomorfas, que também são associadas com características naturais. As pessoas rezam e fazem sacrifícios, de acordo com suas necessidades e situação. Cada divindade tem suas regras, ritos e sacrifícios próprios. Os yorubás rezam para os Orixás para intervenção divina em suas vidas.
Ọlọ́run (o dono do céu), ou Olódùmarè é o Deus supremo dos yorubás, ele é o criador, é invocado em benções e em certas obrigações, mas nenhum santuário existe para ele, nenhum sacerdócio organizado.
Os yorubás, também, crêem que os antepassados interfiram diariamente nos eventos da terra. Em algumas cidades são feitos, anualmente festivais, onde cada Egungun dança, e é festejado. Como já vimos os yorubás, são um povo com uma cultura muito rica. Eles superaram muitos obstáculos para alcançar o ponto que estão hoje. Sua cultura e história podem ser vista ao longo do mundo, especialmente as convicções religiosas, em outras palavras, os yorubás são dos mais influentes povos do mundo.
Outra explicação que se faz a respeito do aparecimento das divindades seria que Oxalá ou Obatalá, deus da criação instalou seu reino em Ifé, lugar sagrado dos yorubás. Fala-se que Obatalá tinha um irmão mais moço chamado Oduduwa, que ambicionava executar as tarefas que Olódùmarè confiou a Obatalá e, para tanto, fez um ëbö, contando com a colaboração de Exu, que armou uma cilada, provocando muita sede em Obatalá, que se encontrava bastante cansado da viagem. Ao se aproximar de uma palmeira, usando seu cajado, furou a dita palmeira e bebeu o emu ( vinho de palma) que jorrava. Exausto embriagou-se rapidamente e ali mesmo deitou e adormeceu. Oduduwa que vinha de espreita na retaguarda, passou em sua frente, tornou-se fundador dos povos yorubás.
Nascimento dos Yorubás
Outra formalidade importante yorubá é o nascimento de uma pessoa. Dar nome a um filho envolve a comunidade inteira, que participa dando boas vindas ao recém nascido, felicitando os pais e fazendo pedidos em conjunto para que o filho tenha um futuro feliz e afortunado.
A família, primeiramente, escolhe o nome apropriado ao filho; o nome geralmente é escolhido de acordo com as circunstancias do nascimento da criança, observando as tradições de família e até fenômenos naturais que aconteceram em torno da nascimento do bebê. Depois do nome selecionado, o pai ou um parente mais velho anuncia o dia de dar o nome que é chamado Ikomojade. Tradicionalmente, para meninos é um dia após o nascimento, para meninas é no sétimo dia e para gêmeos de ambos os sexos, no oitavo dia de nascimento. Hoje em dia a prática é feita no oitavo dia para todos os recém nascidos.
A cerimônia acontece ao ar livre, a criança deve estar com os pés descalços, e á a primeira vez que ela tem contato com os pés na terra, é a primeira vez que o filho sai fora de casa. Todos os parentes e membros da comunidade têm interesse em dar boas vindas ao recém nascido, cada pessoa trará dinheiro, roupas e outros presentes tanto para o filho quanto para aos pais. As mulheres entregam os presentes à mãe e os homens dão os presentes ao pai. Depois de todos os presentes à mãe entrega o filho a um ancião, que exercerá os rituais; é apropriado que um velho ancião seja o primeiro a guiar o filho.
Tudo começa quando um jarro de água é jogado sobre o telhado, de forma que o recém nascido é seguro de baixo e recebe no corpo a água que cairá de volta. Se o filho se manifesta gritando é considerado de bom sinal, isto indica que ele veio para ficar. A água é o primeiro dos muitos itens cerimoniais, seu uso reflete a importância do filho para a família. Após o filho ser borrifado com água o ancião sussurra o nome do recém nascido em seu ouvido; e molha seu dedo na água e toca a fronte do bebê, e anuncia o nome escolhido em voz alta para que todos ouçam. São colocadas as vasilhas contendo os ingredientes necessários para continuação da formalidade; cada ingrediente tendo um significado especial. A primeira vasilha consiste em pimenta vermelha da qual o ancião dá uma prova ao pequeno filho. A pimenta simboliza que o bebê será resoluto e terá comando acima das forças da natureza. A pimenta então é distribuída para o gosto da assembléia inteira; depois da pimenta o recém nascido experimenta água, significando a pureza de corpo e espírito, que o deixará livre das doenças; logo o ancião oferece sal ao bebê, que simboliza a sabedoria, a inteligência; deseja-se que nunca lhe falte o sal, mas que sua vida não seja salgada, que ele tenha felicidade e doçura na vida, que tenha uma vida sem amargura; depois é oferecido óleo de palma (epô) que é tocado com os dedos nos lábios do bebê, num desejo de potência e saúde. O filho então saboreia mel, e o ancião pede que ele seja tão doce quanto mel, para a família e para a comunidade, que tenha felicidade. Depois é oferecido vinho, para que o filho tenha fartura e prosperidade na vida; e finalmente o bebê recebe uma prova de noz de kola, simbolizando o desejo para boa fortuna do filho. O ancião, ou particularmente o pai da criança, pode adicionar mais ingredientes para fazer parte da formalidade, pode ser objetos que representam as divindades que a família cultua, como por exemplo se a deidade da família é Ogum, o pai exige que uma faca ou espada seja usada na formalidade, e assim por diante. O nascimento mais importante é de gêmeos (Ibejis), o nome do primeiro nascido será Táíwo, e o segundo a nascer será chamado de Kéhìndé; e o filho nascido depois de gêmeos será chamado de Idowu, este nascimento é cercado de superstições.
Depois do item final ser distribuído para a comunidade, começam as festividades, e todos comem e dançam numa grande alegria que durará até a madrugada.
Os Yorubás e a morte
Os yorubás e muitos outros grupos africanos acreditam que a vida e a morte alternam-se em ciclos, de tal modo que o morto volta ao mundo dos vivos, reencarnando-se num novo membro da própria família. São muitos os nomes yorubás que exprimem exatamente esse retorno, como Babatundê, que quer dizer "o pai renasceu".
Para os yorubás, o mundo em que vivem os seres humanos em contato com a natureza, chama-se de aiyê, e um mundo sobrenatural, onde estão os Orixás, outras divindades e espíritos, é chamado de orum. Quando alguém morre, seu espírito ou parte dele vai para o orum, de onde pode retornar ao ayiê nascendo de novo.
Alguns espíritos são cultuados e se manifestam nos festivais de egungun no corpo de sacerdotes que se dedicam a esta parte do ritual africano, comandados pelo sacerdote chefe chamado Babansìkù; nesta ocasião transitam entre os humanos, julgando suas faltas, dando conselhos e resolvendo contendas e pendências de interesse da comunidade. Assim como a sociedade egungun cultua os antepassados masculinos do grupo, outra sociedade de mascarados, a sociedade Gèlédé, se dedica a homenagear as mães ancestrais (as Iya Nla).
Na concepção yorubá, existe a idéia do corpo material, que chamam de ara, o qual se decompõe com a morte e é reintegrado a natureza, por este motivo os sacerdotes antigos não gostavam da idéia de serem enterrados, pós-morte, em outro lugar a não ser direto na terra. A parte espiritual é formada de várias unidades reunidas: 1º emi essência vital de cada pessoa que independe de seu corpo físico e que sobrevive a morte deste, 2º o ori que é a personalidade-destino, espécie de portão espiritual para o culto, é no ori que reside à força principal de captação e re-emissão do axé, é nesta região que se determina qualquer tipo de comportamento, onde se pode reproduzir o conjunto de atitudes que correspondem às características psicológicas de um orixá. É conseqüentemente no ori que se manifesta o dupo que cada pessoa possui na natureza, o seu tipo de comportamental cujas características advêm da humanização de uma energia da natureza. 3º Elemi ou Eledá, a identidade sobrenatural ou identidade de origem que liga a pessoa à natureza, ou seja, o Orixá pessoal e 4º o espírito propriamente dito ou egun. Cada parte destas precisa ser integrada no todo que forma a pessoa durante a vida, tendo cada um destino diferente após a morte. O emi, sopro vital que vem de Ọlọ́run, que está representado pela respiração, abandona o corpo material na hora da morte, sendo reincorporado à massa coletiva que contém o principio genérico e inesgotável da vida, força vital cósmica do deus-primordial Olódùmarè. O emi nunca se perde e é constantemente reutilizado. O ori, que nós chamamos de cabeça e que contém a individualidade e o destino, desaparece com a morte, pois é único e pessoal, de modo que ninguém herda o destino do outro. Cada vida será diferente, mesmo com a reencarnação. O orixá individual, que define a origem mítica de cada pessoa, retorna com a morte ao Orixá geral, do qual faz parte. Finalmente o egun, que é a própria memória do vivo em sua passagem pelo aiyê, vai para o Orun, podendo daí retornar, renascendo no seio da própria família biológica. No caso do egun, os vivos podem cultuar sua memória, que pode ser invocada através de um altar ou assentamento, assim como se faz para os Orixás ou outras entidades espirituais. Sacrifícios votivos são oferecidos ao egun que integra a linhagem dos ancestrais da família ou da comunidade mais ampla. Representam as raízes daquele grupo.
Na religião de origem africana, a morte de um iniciado implica na realização de rituais funerários. O rito fúnebre é denominado èrìsún (erissum) no Batuque do rio Grande do Sul, tendo como principal fim, despachar o egun do morto, para que ele deixe o mundo terreno e vá para o mundo espiritual. Como cada iniciado passa por ritos e etapas iniciativas ao longo de toda a vida, os ritos funerários serão tão mais complexos quanto mais tempo de iniciação o morto tiver. O rito funerário é, pois, o desfazer de laços e compromissos e a liberação das partes espirituais que constituem a pessoa, nesta cerimônia. os objetos sagrados do morto são desfeitos, desagregados, quebrados, partidos e despachados, cortando qualquer possibilidade de vínculo do egun com o mundo terreno . Nestas obrigações, há cantos específicos e danças , sacrifícios e oferendas variadas ao egun e os Orixás ligados ritualmente ao morto, várias divindades participam ativamente do rito funerário através de transe. Nos rituais funerários da nação Ijexá, costuma-se velar o corpo em casa, ou seja, no terreiro, onde há toques de tambores, danças e cantigas apropriadas. A primeira providencia a ser tomada pós-morte é despachar os Barás que pertenciam ao irúnmòle do falecido. O ponto culminante do rito, é o èrìssùn, que acontece no sétimo dia. Estes rituais variam de terreiro para terreiro, de nação para nação.
Saiba Mais
  • Olódùmarè
  • Odùdúwà

O Candomblé

                                           Candomblé



Candomblé, culto dos orixás, de origem totêmica e familiar, é uma das Religiões Afro-Brasileiras praticadas principalmente no Brasil mas também em países adjacentes como Uruguai, Argentina, e Venezuela.
A religião, que tem por base a "anima" (alma) da Natureza, sendo portanto chamada de anímica, foi desenvolvida no Brasil com o conhecimento dos sacerdotes africanos que foram escravizados e trazidos da África para o Brasil, juntamente com seus Orixás/Inquices/ Voduns, sua cultura, e seus dialetos, entre 1549 e 1888.
Embora confinado originalmente à população de escravos, proibido pela igreja Católica, e criminalizado mesmo por alguns governos, o candomblé prosperou nos quatro séculos, e expandiu consideravelmente desde o fim da escravatura em 1888. É agora uma das religões principais estabelecidas, com seguidores de todas as classes sociais e dezenas de milhares de templos. Em levantamentos recentes, aproximadamente 3 milhões de brasileiros (1,5% da população total) declararam o candomblé como sua religião. Na cidade de Salvador existem 2.230 terreiros registrados na Federação Baiana de Cultos Afro-brasileiros. Entretanto, na cultura brasileira as religiões não são vistas mutuamente como exclusivas, e muitos povos de outras crenças religiosas — até 70 milhões, de acordo com algumas organizações culturais Afro-Brasileiras — participam em rituais do candomblé, regularmente ou ocasionalmente. Orixás do Candomblé, os rituais, e as festas são agora uma parte integrante da cultura e uma parte do folclore brasileiro.
O Candomblé não deve ser confundido com Umbanda e Macumba, duas outras religiões Afro-Brasileiras com similar origem; e com religiões Afro-derivadas similares em outros países do Novo Mundo, como o Voodoo Haitiano, a Santeria Cubana, e o Obeah, os quais foram desenvolvidos independentemente do Candomblé e são virtualmente desconhecidos no Brasil.
Candomblé é uma religião monoteísta, embora alguns defendam que cultuem vários deuses, o deus único para a Nação Ketu é Olorum, para a Nação Bantu é Zambi e para a Nação Jeje é Mawu, são nações independentes na prática diária e em virtude do sincretismo existente no Brasil a maioria dos participantes consideram como sendo o mesmo Deus da Igreja Católica.
Os Orixás/Inquices/Voduns recebem homenagens regulares, com oferendas, cânticos, danças e roupas especiais. Mesmo quando há na mitologia referência a uma divindade criadora, essa divindade tem muita importância no dia-a-dia dos membros do terreiro, como é o caso do Deus Cristão que na maioria das vezes são confundidos.
Os Orixás da Mitologia yorúbà foram criados por um deus supremo, Ọlọ́run (Olorum) dos yorúbà;
Os Voduns da Mitologia Fon ou Mitologia Ewe, foram criados por Mawu, o deus supremo dos Fon;
Os Inquices da Mitologia Bantu, foram criados por Zambi, Zambiapongo, deus supremo e criador.
O Candomblé cultua, entre todas as nações, umas cinquenta das centenas de deidades ainda cultuadas na África. Mas, na maioria dos terreiros das grandes cidades, são doze as mais cultuadas. O que acontece é que algumas divindades têm "qualidades", que podem ser cultuadas como um diferente Orixá/Inquice/Vodun em um ou outro terreiro. Então, a lista de divindades das diferentes nações é grande, e muitos Orixás do Ketu podem ser "identificados" com os Voduns do Jejé e Inquices dos Bantu em suas características, mas na realidade não são os mesmos; seus cultos, rituais e toques são totalmente diferentes.
Orixás têm individuais personalidades, habilidades e preferências rituais, e são conectados ao fenômeno natural específico (um conceito não muito diferente do Kami do japonês Xintoísmo). Toda pessoa é escolhida no nascimento por um ou vários "patronos" Orixá, que um babalorixá identificará. Alguns Orixás são "incorporados" por pessoas iniciadas durante o ritual do candomblé, outros Orixás não, apenas são cultuados em árvores pela coletividade. Alguns Orixás chamados Funfun (branco), que fizeram parte da criação do mundo, também não são incorporados.
O candomblé e demais religiões afro-brasileiras tradicionais formaram-se em diferentes áreas do Brasil com diferentes ritos e nomes locais derivados de tradições africanas diversas: candomblé na Bahia, xangô em Pernambuco e Alagoas, tambor de mina no Maranhão e Pará, batuque no Rio Grande do Sul e macumba no Rio de Janeiro.
A organização das religiões negras no Brasil deu-se bastante recentemente, no curso do século XIX. Uma vez que as últimas levas de africanos trazidos para o Novo Mundo durante o período final da escravidão (últimas décadas do século XIX) foram fixadas sobretudo nas cidades e em ocupações urbanas, os africanos desse período puderam viver no Brasil em maior contato uns com os outros, físico e socialmente, com maior mobilidade e, de certo modo, liberdade de movimentos, num processo de interação que não conheceram antes. Este fato propiciou condições sociais favoráveis para a sobrevivência de algumas religiões africanas, com a formação de grupos de culto organizados.
Até o final do século passado, tais religiões estavam consolidadas, mas continuavam a ser religiões étnicas dos grupos negros descendentes dos escravos. No início deste século, no Rio de janeiro, o contato do candomblé com o espiritismo kardecista trazido da França no final do século propiciou o surgimento de uma outra religião afro-brasileira: a umbanda, que tem sido reiteradamente identificada como sendo a religião brasileira por excelência, pois, nascida no Brasil, ela resulta do encontro de tradições africanas, espíritas e católicas.
Desde o início as religiões afro-brasileiras formaram-se em sincretismo com o catolicismo, e em grau menor com religiões indígenas. O culto católico aos santos, numa dimensão popular politeísta, ajustou-se como uma luva ao culto dos panteões africanos. A partir de 1930, a umbanda espraiou-se por todas a regiões do País, sem limites de classe, raça, cor, de modo que todo o País passou a conhecer, pelo menos de nome, divindades como Iemanjá, Ogum, Oxalá etc.
O candomblé, que até 20 ou 30 anos atrás era religião confinada sobretudo na Bahia e Pernambuco e outros locais em que se formara, caracterizando-se ainda uma religião exclusiva dos grupos negros descendentes de escravos, começou a mudar nos anos 60 e a partir de então a se espalhar por todos os lugares, como acontecera antes com a umbanda, oferecendo-se então como religião também voltada para segmentos da população de origem não-africana. Assim o candomblé deixou de ser uma religião exclusiva do segmento negro, passando a ser uma religião para todos. Neste período a umbanda já começara a se propagar também para fora do Brasil.
Durante os anos 1960, com a larga migração do Nordeste em busca das grandes cidades industrializadas no Sudeste, o candomblé começou a penetrar o bem estabelecido território da umbanda, e velhos umbandistas começaram e se iniciar no candomblé, muitos deles abandonando os ritos da umbanda para se estabelecer como pais e mães-de-santo das modalidades mais tradicionais de culto aos orixás. Neste movimento, a umbanda é remetida de novo ao candomblé, sua velha e "verdadeira" raiz original, considerada pelos novos seguidores como sendo mais misteriosa, mais forte, mais poderosa que sua moderna e embranquecida descendente, a umbanda.
Nesse período da história brasileira, as velhas tradições até então preservadas na Bahia e outros pontos do País encontraram excelentes condições econômicas para se reproduzirem e se multiplicarem mais ao sul; o alto custo dos ritos deixou de ser um constrangimento que as pudesse conter. E mais, nesse período, importantes movimentos de classe média buscavam por aquilo que poderia ser tomado como as raízes originais da cultura brasileira. Intelectuais, poetas, estudantes, escritores e artistas participaram desta empreitada, que tantas vezes foi bater à porta das velhas casas de candomblé da Bahia. Ir a Salvador para se ter o destino lido nos búzios pelas mães-de-santo tornou-se um must para muitos, uma necessidade que preenchia o vazio aberto por um estilo de vida moderno e secularizado tão enfaticamente constituído com as mudanças sociais que demarcavam o jeito de viver nas cidades industrializadas do Sudeste, estilo de vida já, quem sabe?, eivado de tantas desilusões.
O candomblé encontrou condições sociais, econômicas e culturais muito favoráveis para o seu renascimento num novo território, em que a presença de instituições de origem negra até então pouco contavam. Nos novos terreiros de orixás que foram se criando então, entretanto, podiam ser encontrados pobres de todas as origens étnicas e raciais. Eles se interessaram pelo candomblé. E os terreiros cresceram às centenas.
Nação
A palavra nação é usada no candomblé para distinguir seus seguimentos, diferenciados pelo dialeto utilizado nos rituais, o toque dos atabaques, a liturgia. A nação também indica a procedência dos escravos que lhe deram origem na nova terra e das divindades por eles cultuadas.
As civilizações sudanesas, por exemplo, são representadas pelo grupo Nagô ou Yorubá, também conhecido como nagô, por sua vez representado pelas nações:
  • Ketu
  • Efan
  • Ijexá
  • Nagô Egbá
  • Batuque do Rio Grande do Sul
  • Xambá de Pernambuco
O grupo dos daomeanos é representado pelas nações jeje:
  • Fon
  • Éwé
  • Mina
  • Fanti
  • Ashanti
  • e outros menores como Krumans, Agni, Nzema, timini.
As civilizações islamizadas são representadas por Fulas (peuhls), Mandingas, Haúça e, em menor número, Tapa, Bornu, Gurunsi ou Grunci.
As civilizações bantos do grupo angola-congolês são representadas pelos ambundas de Angola (cassanges, bangalas, in-bangalas, dembos), os congos ou cabindas do estuário do Zaira e os benguela com diversas tribos escravizadas.
As civilizações bantu da Contra-Costa são representadas pelos moçambiques (macuas e angicos), tendo sido o grupo Bantu reduzido às nações:
  • Candomblé Bantu
    • Angola
    • Congo
    • Cabinda
No começo do período escravagista, todos os escravos vindos da África eram chamados de negros de Guiné, pois no século XVI a Guiné se estendia de Senegal a Orange. Esses guinés deveriam ser autênticos bantus.
A escravidão dividiu as sociedades africanas em todos os sentidos. O africano, com o fim das linhagens, dos clãs, das aldeias, da realeza, se apegou ainda mais aos seus deuses e ritos, uma vez que foi a única coisa que restou de suas regiões de origem.
Guardiões da cultura oral, os escravos guardaram em sua memória os movimentos de dança, os toques dos atabaques, a comida ritual, as rezas e cânticos, na nova terra chamados de Cantiga no candomblé e pontos cantados na Umbanda.
O silêncio, o segredo (calundus)e o isolamento armado em quilombos e mocambos são formas de resistência e esperança de reconstituir na nova terra seus ritos, costumes e hierarquia.
A resistência dos negros ao regime de subordinação ou exploração do qual foram vítimas encontram portas abertas na religião, nos quilombos, confrarias e santidades, locais de reuniões assim chamados antes de receberem o nome de candomblés que também foram usados como esconderijo.
Referências
  • (Texto adaptado parte extraído Reginaldo Prandi (in: Herdeiras do Axé. Sao Paulo, Hucitec, 1996).
  • www.fietreca.org.br